Toda Matéria se Renova

Horrífera ecnefia e flores de lágrimas cobertas

Finíssima madeira untada com verniz francês

Tudo tão ocasional e tão sofisticado

Para ser visto pela última vez


Malditas notas capazes de despir minha tristeza

E contemporizar meus célebres ídolos mórbidos e celestiais

Almas veladas pelo abismo dessa corte de mentiras

E apagadas pelas soberbas torturas lacrimais

E tudo se faz mórficos e magnificência de ébanos sociais


Vida de luxúria e devastação

Consumismo e deploração

Pulsando com a mente em tempos gastos

Pensando com sentimentos o coração


Oh, malditas notas que me envergonham ao ócio do incapaz

Em minhas teclas e cordas com dores em velas acabadas

Tudo como vinhos tintos dessas veias mortais

E tudo em prantos negros agora se faz


Nós devoramos nossos antepassados

A cada diária alimentação

Retiramos da terra os que foram enterrados

E excretamos de novo tudo pelo chão


E toda matéria se renova

Da terra crescemos destruindo

Pela terra seremos destruídos

E devorados seremos destituídos


Almas festivas dessas palavras lançados ao túmulo

Tudo em lúgubres vestes de réquiem se desfaz

Agora e o sempre. O hoje, o ontem e o nunca mais

Até tardar minhas histórias criadas no amanhã vermelho

Tudo como toques de lágrimas perdidas em prantos eternais


Horrífera ecnefia desta festa final

Cantigas lúgubres desses coros celestiais

Perdidas e embebidas nos fins dos sinais

O hoje, o sempre e o nunca mais.

Abraham Schneersohn  

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